Pâtisserie na China

Tags: Custo de vida na China

Com enorme alegria, encontramos alguns cafés, padarias e supermercados que possuem bolos e doces. Cada bolo mais lindo que o outro, mas infelizmente os que experimentamos não possuíam o sabor proporcional à beleza. Ficamos nas opções de waffles, alguns docinhos, croissants e pães doces que são uma delícia na maioria das vezes. Mas, como não experimentamos tudo, não perdemos a esperança! Os chineses não são adeptos das sobremesas diárias, o que para nós é uma tristeza total. Às vezes alguma fruta ou um dos pratos durante a refeição é doce (lembrei agora de uma batata caramelizada, que é perfeita), mas sobremesas são raras.

Vamos ver se dá certo elencar alguns preços, que aí dá pra notar algumas diferenças e semelhanças nos custos (não necessariamente no mesmo estabelecimento):

  • Xícara grande de café preto: ¥ 20
  • Copo grande de café com firula (baunilha, avelã, etc): ¥ 30
  • Waffles: ¥ 35
  • Vitamina de morango: ¥ 28
  • Croissant grande, com ou sem cobertura de chocolate: ¥ 8,5
  • Tortinha de chocolate, bonita mas sem sabor: ¥ 12
  • Café que a gente não sabia que tinha pétalas: ¥ 12
  • Sanduíche: ¥ 7

Neste exato momento, R$ 1,00 vale ¥ 2,78. Se tiver curiosidade para saber a cotação, vai no Google e digita “1 RBL to RMB”.

Essas e muitas outras fotos no insta de diana e a rexetegue #nachinacomgregorioediana.

Cafezinho!

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Street Style em Xi’an

O que se pode perceber é que existe pouca preocupação em geral com a moda por aqui. Alguém me disse que as pessoas compram o que é mais barato e pronto. Mas o fato de haver pouca preocupação não faz dela inexistente! Uma grande parte das meninas se veste de forma bem romântica, com muitos babados, laços e tons claros. Uma outra grande parte se veste estilo esportivo, por vezes cópias americanas, e sem maquiagem. Umas outras meninas se vestem e se maquiam bem! Existem também as pessoas que conquistaram um conforto financeiro e estão na fase “ostentação”. Lembrando que faz relativamente pouco tempo que as pessoas têm melhores condições financeiras aqui na China. Até recentemente, era difícil alcançar uma condição de vida confortável e, para muitos, ainda é difícil.

Uma diferença gritante é que aqui as meninas não têm medo de serem meninas. Usam saia, saia rodada, rosa, laço e tudo mais feminino que você possa imaginar. Mesmo no ambiente de trabalho. Outra curiosidade é que elas cobrem muito o busto mas não têm vergonha de usar saias super curtas. Até agora só tenho visto meninas com meia-calça devido ao clima, mas as saias são curtas e coladas, quase um cinto mesmo! Em relação às cores, elas usam e usam muito bem: usam laranja, azul, roxo, vinho, vermelho, rosa, etc. Sabem combinar as cores e usam tudo no inverno também.

Já vi algumas fotografando look do dia, eu presumi, em pontos bem turísticos. Aqui algumas fotos, para ver mais sigam meu instagram: diananunes_

Street Style Street Style Street Style Street Style Street Style Street Style

Dia de faxina

Em Porto Alegre, tínhamos o hábito de fazer faxina aos sábados de manhã. Era o dia em que Greg ficava muito triste e não queria falar com ninguém. Levávamos quase 2 horas enrolando em um apartamento pequeno. Aqui demoramos mais nos primeiros dias, pois o padrão de limpeza deles é bem diferente do nosso, mas depois ficou super fácil manter e pedimos pra empresa comprar aspirador de pó. Aí ficou mais fácil ainda! A menina da faxina vem na terça e na sexta ou sábado damos um jeitinho. Quando passamos muito tempo fora de casa nem precisamos de muita dedicação com a limpeza.

E cozinhar aqui? é super rápido e fácil! Com a panela de arroz fazemos arroz, macarrão, sopa, ovo cozido, milho verde, tanta coisa :D e com a única panela que temos, uma frigideira bem funda, fritamos alguma verdura, refogamos algum vegetal e está pronta nossa refeição! Chinese style!

Uma das receitas para “arrozeira” bem legais que nossa amiga Lize compartilhou:

Receita

Usamos muito a sala para assistir filme. Ficar no sofá embaixo do edredom no friozinho é bom demaissss :D

As vassouras que tem no apartamento são bem pequenininhas, parece de criança, e é assim que encontramos nos supermercados aqui também!

Vassouras

A máquina de lavar é super engraçada. Tem uns programas que o nome é intraduzível do tipo: “Single Mode”, que é para roupas de solteiro; e “Night Mode” que é para roupas de balada.

Máquina de lavar

E, por fim, o microondas engraçado: tem função para dumplins, nossa comida favorita, e para macarrão instantâneo!

Nossa casa na China virou lar!

Quatro “traumas” que você vai curar na China - Por Diana

Se você tem algum “trauma social” e gostaria de curá-lo, venha para a China! Aqui vai ser muito fácil superar algum trauma se você deixar todo o preconceito de lado e entender uma cultura que, sim, é muito diferente, mas ao mesmo tem algo em comum com a brasileira. Os chineses são simpáticos e hospitaleiros, principalmente os mais jovens, e as pessoas próximas a você tendem ser bem amistosas.

Seja tolerante, tenha compaixão e pouca exigência consigo mesmo, e assim você conseguirá tolerar, entender e não exigir dos chineses. Os traumas dos quais me curei:

1 – Óbvio: trauma de muita gente no mesmo lugar

Não tem jeito, apesar dos espaços serem grandes, das construções e organização das ruas serem preparadas para a superpopulação, vai ter hora e lugar que vai estar todo mundo junto mesmo. Paciência, calma e segue o fluxo!

2 – Todo mundo está olhando pra mim!

Sim, todo mundo está olhando pra você. Lembra quando chega no Brasil algum gringo bem branquelo, altão e a gente olha? Aqui é do mesmo jeito. Tenho a impressão de que é pior, já que eu sou a “olhada”, mas é a mesma coisa. O dia todo, todos os dias, todo mundo vai olhar pra você sempre. As crianças vão até apontar e as pessoas às vezes param o que estão fazendo para lhe observarem. Olhe-os de volta, sorria; ou então não olha, olha para a paisagem. Tanto faz, depois de um tempo não vai fazer diferença pra você.

3 – O pessoal está “sugando” a comida!

Sabe quando você está na sua mesa, tranquilo, comendo qualquer coisa e alguém próximo começa a sugar o café, a sopa ou qualquer outro líquido quente, fazendo bastante barulho? Aqui é super normal e acontece até com a comida! Eles colocam a cabeça bem próxima ao prato para ajudar os palitinhos na tarefa de levar a comida até a boca e: shhhhh! Fazem o barulho necessário, não importando o local ou quem estiver do lado. Imaginem comer uma sopa com muito macarrão escorregadios dentro com palitos. É bem assim. No começo irrita mas depois é tão normal e você pode até se pegar fazendo o mesmo quando a comida estiver super quente mesmo!

4 – Não sei se dou dois beijinhos, um beijinho ou só sorrio ao cumprimentar alguém

Não precisa mais se preocupar, seus problemas acabaram! Aqui é só soltar um “Ni Hao” de longe e um sorrisinho e pronto, a pessoa já está super cumprimentada. Mas é estranho até depois de um tempo, às vezes você esquece e vai em direção da pessoa, tipo pra dar dois beijinhos e para na metade lembrando que aqui e em muitos lugares, que não o Brasil, as pessoas não se tocam ao se cumprimentar.

Alguém lembra de mais algum?

Explorando o bairro

Tags: Conhecendo a China

Quando morávamos em Porto Alegre, tínhamos o hábito de passear pelo nosso bairro a pé nos finais de semana, assim que acordávamos, e depois tomávamos café em alguma padaria. Acabávamos sempre descobrindo coisas legais. Estávamos ansiosos para fazer isso aqui e hoje, enfim, conseguimos. Estava um dia de sol lindo e bem mais quentinho :)

Andamos bastante pelos muitos prédios em construção, por dentro do nosso condomínio, pela área de restaurantes que almoçamos quase todos os dias (e que com a luz do sol parecia completamente diferente) e por uma área de hotéis e alguns empresariais. Infelizmente o que vimos foi: muito asfalto, muita construção, muito prédio e nada tão legal onde passear. Ficamos um pouco desapontados, mas lembramos de um parque que tem mais ou menos perto daqui, vamos tentar chegar lá no próximo passeio. Ah, e o passeio terminou em um café super legal que achamos aqui com um milk shake geladinho e waffle para engordar tudo que perdemos caminhando! :D

As fotos a seguir são de dias diferentes. Conheçam um pouco da China com a gente!

Explorando o bairro Explorando o bairro Explorando o bairro Explorando o bairro

Retrospectiva do primeiro mês na China

Completamos um mês de China! O que temos a dizer: é muita coisa para absorver o tempo todo! É um desafio muito grande e sentimos que estamos realizando nossos planos juntos. Nos sentimos realizando coisas e não parados, sabe?

Claro que não é fácil, como todos devem imaginar. Apesar de gostarmos muitoooo da comida (até comida congelada, achamos uma que adoramos), sentimos falta da comida de casa. Ainda não estamos morrendo, lógico, mas, por exemplo, não tem queijo, requeijão, manteiga :). A poluição é complicada (enfim está diminuindo), a dificuldade de locomoção dificulta muita coisa e a língua nos impede de quase tudo.

“Ainda não me sinto totalmente a vontade pra sair sempre na rua, apesar de não ter perigo algum, que fique bem claro, mas o frio e a poluição não ajudavam. Mas agora já está começando a esquentar e a poluição diminuiu bastante. Nos explicaram que no inverno pesado se “queima” muita coisa para manter os lugares quentes, aumentando a poluição… Apesar de alguns dias me sentir sozinha ou sem rotina, em nenhum momento esqueci o que estou fazendo em termos de carreira para minha vida agora: nenhuma experiência profissional que tive até hoje me fez sentir que “é essa”, ou que estou fazendo o que eu quero, ou usando todo o meu potencial. E é por isso também que estou aqui me forçando a viver tanta coisa nova. Estou acumulando experiências, forças, coragens… essas coisas, me dando esse tempo também, focando e plantando agora para colher os frutos amanhã :)“ (Por Diana)

Nesse um mês existiram momentos em que a gente se perguntou porque estamos aqui e outros que tivemos a certeza do que estamos fazendo aqui. Percebemos que já estamos super bem acostumados com muita coisa que foi difícil nos primeiros dias. Então é assim mesmo, é adaptação e seria assim em qualquer lugar.

Relembrando: a chegada aqui foi complicada, o frio e sem dormir por causa do fuso horário dificultava tudo. Realmente é um choque sentir cheiro de fumaça e saber que é poluição ou não ver muito ao seu redor porque a poluição está muito alta naquele dia e fica tudo nublado só que não só no céu, nas ruas também. A sujeira no apartamento quando chegamos também foi outro choque, mas que foi resolvido rápido. Muitos táxis são sujos, como motoristas fumando dentro. Aliás, as pessoas fumam em todo lugar. Não é sempre fácil conseguir um taxi, dependendo da hora é quase impossível. Ônibus nem pensar, metrô é mais fácil e já temos o cartão pré-pago, mas tem que pegar táxi pra chegar na estação mais próxima, de qualquer forma.

No começo saímos quase todos os dias pra comprar comida e outras coisas de casa pq era difícil chegar nos supermercados e achar as coisas. Agora já esta millllll vezes melhor, fazemos uma feirinha todo domingo nos mercadinhos próximos e dura a semana toda: tem arroz, ovo, queijo, leite, iogurte, frutas, verduras, macarrão, etc. Dá pra comer em casa quando quisermos. Apesar de toda a variedade de comida nos restaurantes, no fundo, sinto que só comemos arroz ou macarrão, e muita verdura (tem muita mesmo) e quando vamos no mercadinho, não conhecemos, não sabemos como preparar ou que tempero precisa, mas estamos comprando e experimentando tudo mesmo assim. O bom é que não tivemos absolutamente nenhum problema com a comida até agora.

Temos que falar nas pessoas novamente, eles são muito receptíveis, muito mesmo. Todos eles perguntam se Greg está bem e se está precisando de algo. Também perguntam por mim ou me perguntam diretamente quando me veem, querendo saber se eu estou me adaptando, etc. Hoje Greg mandou um email para todos do escritório perguntando se alguém tinha algum conhecido no mercado de moda ou personal branding e eles responderam de imediato, mas infelizmente era a resposta que já sabíamos: que conhecem em Beijing. Eu já sabia que aqui esse mercado não existe, é mais na capital mesmo. Portanto, continuo estudando por mim mesma e aprimorando minha ideia de modelo de negócio que vou implementar um dia.

Aprender mandarim é um desafio muito engraçado. Estamos realmente gostando, apesar de nos desmotivarmos algumas vezes.

Sobre finanças, fica prum próximo post.

Enfim, estamos nos adaptando aos poucos e achando que nosso planejamento está no caminho certo. Conversamos muito e os planos que fizemos em Porto Alegre estão começando a se realizar. Então estamos muito felizes e temos muitos outros planos que já estamos conversando para realizarmos juntos!

“E me sinto tão realizada por ter encontrado alguém muito companheiro, atencioso e preocupado, que só me faz melhorar em todos os sentidos, por ter a oportunidade e na verdade ser forçada a fazer o que eu gosto o tempo todo e por ter me permitido essa escolha.” (Por Diana)

“Sou muito feliz por poder contar com alguém com tamanha disposição para encarar este desafio junto comigo. Diana é muito corajosa :)” (Por Greg)

Feliz 1 mês de China!!!!

A estreia nos gramados chineses - por Gregório

Algo fantástico estava por acontecer. Uma brilhante carreira poderia estar se iniciando: era minha estreia nos gramados chineses!

Gramado chinês

O marido de uma colega de trabalho estava vindo me buscar para um jogo num campo que eu não faço ideia de onde ficava, mas parecia ser numa universidade. Enquanto a carona não chegava, eu me divertia com a ideia de existir um olheiro que me levasse pra jogar no lugar do Conca.

O campo possuía dimensões que pareciam ser dentro dos padrões de competição de futebol de campo, 11 contra 11, e um gramado sintético muito bem cuidado. No entanto, não tinha arquibancada; uma pena para os chineses, que deixariam de ver o espetáculo que eu estava para proporcionar.

Dava pra ver uma galera jogando numa metade do campo e eu pensei que era essa galera com quem a gente jogaria. Mas aí Jei, o carona, disse que a gente jogaria na outra metade do campo, com uma outra galera, que aos poucos estava chegando. Eu esperava jogar no campo todo, mas o pessoal aqui tem o costume de jogar em metades do campo, porque assim mais pessoas podem jogar ao mesmo tempo. A princípio, não entendi essa explicação, já que minha matemática assumia que metade das pessoas jogariam na metade do campo. Só durante o jogo entendi como a matemática oriental difere da nossa, ao menos no que tange a quantidade aceitável de pessoas por espaço.

O ar não estava muito poluído, o que era uma notícia muito boa. Mas o clima estava um pouco frio, e, ao meu peso acima do normal, ainda era adicionado o peso do moletom, o que faz muita diferença psicológica quando você precisa de uma desculpa para a sua falta de habilidade.

O começo do jogo foi bacana: o processo de identificação dos jogadores do meu time não foi difícil, já que éramos apenas 6. O jogo fluía bem, com um bom número de passes certos, um chute errado (muito errado), e muitas bolas roubadas. Até eu me surpreendi comigo mesmo quando soltei um drible que nem o Romarinho e passei por dois chineses (do time adversário) ao mesmo tempo: um drible para entrar no DVD.

Com uma meia hora de jogo entrou um senhor Myiagi que jurava que sabia jogar bola. Tocava a bola menos que Luan, lá do Castelo Branco, ou Juninho, lá de Porto Alegre (calma, amigos, ainda tenho respeito futebolístico por vocês :). Depois entrou um outro senhor Myiagi que lembrava tio Rodolfo: jogava bem, mas levava as mãos à cintura, cansado, depois de 5 ou 6 passos.

Aos poucos foi ficando difícil achar espaços no campo para os tradicionais passes cirúrgicos e posicionamento oportuno: parecia que tinha gente demais. Num determinado momento, éramos 11 contra 11. Pra piorar, não era nem metade do campo: era da linha do meio de campo até a linha da grande área. #tenso. Cada time tinha dois caras de vermelho, o que me proibiu de tocar a bola pra qualquer um que estivesse de vermelho. Com a dificuldade de identificar os colegas, fui pra zaga. Cada bola que chegava, bicudo pra frente.

Após quase 2 horas de jogo, Jei cansou-se e fomos embora.

Talvez não tenha sido dessa vez que algum olheiro tenha descoberto o meu talento, mas o saldo foi positivo: uma assistência e um gol, além de passes para gols perdidos.

Relembrando o momento, foi uma experiência bacana, mas tomara que o próximo jogo tenha menos gente :)

Primeira aula de pintura: chinese style! - Por Diana

Fui convidada por Juan, uma colega de trabalho de Greg, para ir a uma aula de pintura que ela frequenta. Adorei o convite e fui para ver se gostava. São dois dias na semana, a partir das 19h. Fiquei muito surpresa quando perguntei: Juan, há que horas devemos ir para casa (que horas termina a aula?) Ela respondeu: “Ah, não tem muito isso, não. Você fica praticando e quando quiser pode ir”. Saí às 22h e as minhas colegas ainda estavam lá!

Foi muito desafiador. Primeiro porque o professor explicou tudo em mandarim e Juan traduziu em “tempo real”. Depois foi porque a forma como o ensino é realizado aqui na China é completamente baseado na memorização: eles explicam tudo de uma vez, mais de uma hora falando e depois você pratica, em casa ou na escola. Imaginem a pessoa vendo pela primeira vez na vida uma aula sobre perspectiva, sombras, linhas, traçados, linha do horizonte, ponto de referência, margens e tudo mais que se fala em uma primeira aula de desenho, e só depois que toda a explicação termina é que se pode praticar, tentando lembrar tudo de uma vez. Eu tentei lembrar do começo da aula e acabei lembrando só um pouco, mas o professor parece muito paciente. Adorei o local, que é na verdade um café. O ambiente é aconchegante e relaxante, com direito a lanchinho, playlist muito boa e chá delicioso no finalzinho!

É muito bom começar novos desafios, viver novos ares, conhecer novas pessoas, adquirir novos conhecimentos e saber que tudo é uma caminhada para chegar exatamente aonde se quer.

Fazendo arte Fazendo arte

Semana que passou rápido e primeira balada

(Faz de conta que é dia 3 de março)

Esta última semana nos trouxe a sensação boa de estarmos nos adaptando bem pois passou muito rápido. Já achamos mercadinhos e padarias perto de casa, não perdemos tanto tempo mais comprando comida, na verdade fazemos a feira até mais rápido que em Porto Alegre, cozinhamos em casa, eu achei atividades como Yoga e aula de pintura e Greg achou colegas para jogar futebol.

Começamos aula de mandarim e alguns colegas se uniram para nos ajudar com as aulas e criaram até um grupo no Skype pra discutirmos os tópicos que estamos precisando aprender no momento. Somos 6 estrangeiros tentando aprender mandarim: 2 brasileiros, 2 indianas, 1 canadense e 1 australiano.

Como já falamos antes, o pessoal é muito simpático conosco e sempre temos alguma programação com alguém, sejam chineses ou laowais (gringos). Esse sábado fomos a um bar chamado Geilin. Primeiro que a decoração do bar era quase ocidental, uma das poucas coisas que nos lembravam que estávamos na China, além de sermos os únicos de olhos arredondados, era uma decoração parecendo de natal restante no topo das portas. São vários os lugares ainda com decoração natalina. A outra eram as músicas chinesas cantadas ao vivo. O repertório era bem variado, de boa qualidade. Foram 2 bandas e 1 DJ. A bebida estava ótima. Conhecemos ainda um grupo de franceses que estão por aqui fazendo intercâmbio e estudando mandarim.

Mas vamos lá às diferenças: primeiro que você é estrangeiro em um bar então vão olhar 2x mais do que já olham nas ruas (nem ligamos mais, mas no começo incomoda muito!). Segundo, se um bar ou restaurante por aqui recebe estrangeiros, esse local pode ser considerado de boa qualidade, então os proprietários tratam muito bem os estrangeiros. Até recebemos uma proposta no final da noite do dono do local de “aparecer” aos fins de semana e tomar uns drinks. Mas a sensação não é assim tão legal, já que alguns chineses endinheirados lhe convidam para suas mesas e falta de educação não aceitar o convite. Eles tentam conversar qualquer coisa para tentar manter boas impressões, e algumas pessoas até falam um pouco de inglês, normalmente os jovens e endinheirados. Trocamos algumas palavras e sorrisos e pronto! O chinês está super satisfeito por ter laowais em sua mesa, sempre oferecendo drinks para os estrangeiros. Resumindo, não há muita “paz”.

No final da noite o dono do bar nos chamou para lanchar. Alguns dos franceses foram conosco. Caminhamos um pouco pelo centro da cidade, próximo à Bell Tower, e, como brasileira, andar à noite pelo centro da cidade às 3h da manhã sem absolutamente nenhuma preocupação é novo demais! Até vi alguns outros jovens andando e conversando normalmente, além de uma menina sentada próximo a uma calçada mexendo no celular.

Pra complementar, foi minha estreia no banheiro estilo chinês. Só tinha essa opção no bar e eu sabia que esse dia ia chegar. Pra mim é muito estranho! Eu nunca tinha visto nada parecido. Meu irmão disse que já tinha visto no interior de Salvador em uma viagem que fez e que os daqui pareciam muitoooo mil vezes mais limpos e organizados. Foi estranho, mas confesso que a posição que eles ficam é bem anatômica :D Mas não consigo imaginar como os velhinhos fazem!

Nesses momentos eu penso o quanto toda a nossa cultura pra eles é estranha, por exemplo, para eles a nossa “louça” sanitária é muito suja pois a gente “senta”, ou seja a pele toca o vaso. Depois fiquei pensando no que nossas mães nos ensinam: não devemos nos sentar no sanitários de fora de casa pois é sujo…. então porque louça de sanitário para sentar? Não parece fazer muito sentido né?

Banheiro

No outro dia convidamos uns colegas que estão mais próximos até agora para uma cerveja no nosso apartamento e já que era carnaval no Brasil, chamamos a “reunião” de nosso carnaval e explicamos para eles o que é e como acontece no Brasil. Claro que eles não fazem a menor idéia do que seja mas ficam bem interessados e nos perguntaram várias coisas.

Balada Balada Carnaval Carnabal

Próximo post Greg vai contar a estreia dele nos gramados chineses e eu a minha estreia na aula de pintura :)

PS. Meu nome chines é algo como Daiana mesmo (戴安娜 – Dai An Na) e sempre que me apresento para alguém acham meu nome lindo. Greg se chama 格雷, Ge Lei.

As muralhas de Xi’an

Tags: Conhecendo a China

JP, um australiano que tornou-se amigo nosso e que mora em Xi’an há quase dois anos, nos convidou para conhecer as muralhas de Xi’an e fazer um passeio de bicicleta por cima dos grandes muros.

Muralhas

Saímos de casa um pouco cedo para tomar café na rua, num lugar perto da estação de metrô. O local foi uma cafeteria escolhida por JP, um lugar simples, mas bem aconchegante, com uma decoração retrô e com um farto cardápio para café da manhã. Sculpture in time Cafe é o nome do lugar, que não parece ser muito focado no consumidor chinês, já que as opções de refeição continham diferentes combinações com bacon, ovos, geleia, pães e cafés. Um oásis para gringos com saudade de um cafezinho com pão, ovo, waffles, omeletes.

De bucho cheio, pegamos o metrô para as muralhas. Na saída da estação de destino, a aventura: o portão de saída era praticamente na rua, sem nenhum tipo de calçada. À direita, 3 faixas para carros; à esquerda, um grande muro de tapume escondendo uma das inúmeras construções na cidade.

Caminhamos uns 500 metros pelo pequeno espaço entre os carros e o muro de tapume até chegar à entrada sul da muralha. Passamos pelo shopping mais luxuoso daqui (Xi’an possui muitos shoppings “fancy”), mas vamos visitá-lo depois e contaremos aqui.

A entrada para a muralha custa ¥60,00 por pessoa, o que dá direito a passear pela muralha e tirar foto com uns caras fantasiados de samurais. Perto da entrada há um pequeno café e uma lojinha de souvenirs. Subindo as escadas, perdemos a noção de quão grande era a muralha e do desafio de pedalar tudo isso. Pedalávamos muito e parecia que estávamos passando pelo mesmo lugar :D Alugamos uma bicicleta para duas pessoas por ¥ 80,00 e iniciamos nossa aventura sem saber como sair do lugar quando duas pessoas dividem a responsabilidade de pedalar. Ao alugar uma bicicleta, você deve devolvê-la em 100 minutos, o que é o bastante, mas não muito, dado o tamanho da muralha: 13km de comprimento, 12 a 16m de largura na base e 12 metros de altura. A experiência foi ótima, adoramos mesmo, é um passeio que não vamos “abusar” de fazer.

O muro foi erguido durante a dinastia Tang (da galera do suco instantâneo) e foi expandido pelo primeiro imperador da dinastia Ming. Isso foi muito antes de Cabral chegar à Bahia: a muralha foi erguida entre 618 e 907 depois de Cristo, e expandida pelos Ming lá pelos 1400. Com tamanha resistência, nenhuma arma antiga era capaz de causar estrago algum e a única forma de atacar a cidade era através dos portões, também muito resistentes e protegidos por soldados estrategicamente posicionados ao topo. Em alguns lugares dá pra ver as marcas do tempo, mais forte que qualquer exército: rachaduras causadas pelo deslocamento do solo.

Hoje em dia, porém, as pessoas que dependem de carros para entrar e sair da região protegida pelos muros têm grande dificuldade, já que poucos carros podem passar pelos portões ao mesmo tempo.

Mais de uma hora pedalando por esta resistente estrutura militar e obra de trabalho pesado, a aventura de nos locomovermos atingiu um outro nível: uma moto-táxi adaptada, um “tuk tuk” para quem já ouviu falar. Imagine uma moto com menos de 150cc, 3 rodas e uma cabine para 4 pequenos passageiros. Nível zero de segurança e conforto; nível máximo de lentidão e surpresas no caminho, já que estes veículos se encaixam em qualquer pequeno espaço nas ruas.

Terminamos o dia conhecendo as proximidades de uma universidade, onde uma chinesa e nossa amiga indiana Anjali nos esperavam. Depois conhecemos o que parecia um centro comercial, onde vimos até uma loja de produtos de decoração estilo francês, um shopping e um supermercado subterrâneo. Apesar da quantidade de comércio não foi fácil achar uma cerveja enquanto as meninas olhavam as lojas no shopping. O local chama-se Vivo City e ficamos de ir depois para conseguir ver tudo. E talvez comprar queijo. É, amigos. Não há queijo na culinária chinesa, portanto não achamos tal preciosidade laticínia nos mercados populares. Também não tem margarina. :’( Como será que os chineses passam a infância sem comer pão com margarina? Não dá pra entender…

Muralhas Muralhas Muralhas Muralhas Muralhas Muralhas Muralhas Muralhas Muralhas Muralhas Muralhas Muralhas Universidade