Corte de cabelo na China

Engraçado como as pequenas atividades do dia a dia se tornam diversão e descoberta quando estamos em um lugar diferente! É só querer enxergar :)

Num já longínquo sábado estávamos indo ao mercadinho e passamos em frente a um salão de beleza e percebi uns homens cortando o cabelo. Perguntei se Greg não gostaria de cortar o cabelo. Imaginem depois de mais de 2 meses sem um corte e, pra ajudar, a barba também já estava grande demais. Ainda bem que ele topou!

Conta aí Greg como foi cortar o cabelo “Chinese Style”:

A curiosidade ganhou da preguiça. Eu estava morrendo por dentro para saber como seria a experiência de cortar o cabelo numa cultura diferente. Não que meu corte fosse complexo como o cabelo do Neymar, mas meu cabelo é certamente diferente do dos chineses.

Entramos no salão e perguntamos quanto custaria o corte: ¥30. Pra ser numa área cara da cidade, tá até bom. E lá fui eu pra onde disseram que eu tinha que ir. O tratamento de beleza começou com uma longa lavagem. Confesso que achei estranho, já que não esperava, mas valeu pela massagem no couro cabeludo.

Hora de ir pra tesoura. Queimei uns neurônios pensando como seria a tradução, em fluente mimiquês, para “passa a máquina 3 dos lados e a tesoura em cima”. Mas meu poliglotismo não foi necessário: o rapaz que cortaria meu cabelo fez um gesto com suas mãos perguntando se era pra cortar pouco. Pelo menos foi o que entendi.

Durante o corte, perguntei se o cabeleireiro não poderia aparar um pouco a barba com a máquina e aí ele se empolgou. Aproveitou a oportunidade pra mostrar todo seu talento em estilizar barbas.

Depois do corte, outra lavagem. Depois da lavagem, uns cremes e uma estilização no cabelo. Por um instante achei que fosse aparecer na TV.

Durante Depois

A maior dificuldade na China: a língua

A única e maior dificuldade na China: a língua.

Todo mundo sabe que a vida não tem só o lado bom. A gente também sabia que iria passar por alguma dificuldade aqui. Mas com toda sinceridade dos nossos corações: com uns 3 meses já vividos na China, a maior dificuldade que sentimos é a língua.

Não adianta vir nos questionar sobre a sujeira, falta de educação, comida, clima, criança fazendo necessidades na rua, ou qualquer outra dificuldade que se possa imaginar, já que tudo se torna completamente normal e não muito diferente do Brasil – levando-se em conta as devidas diferenças culturais. Exatamente: comparada ao Brasil, a China NÃO tem mais sujeira, pobreza, falta de educação. E a comida exótica ou fritura (ou seja lá o que as pessoas que não se adaptam à comida aqui acham). Passamos frio também – Diana passou muito frio em Porto Alegre :D.

Pois é, não conseguir se comunicar direito é a maior dificuldade. Claro que com boa vontade, o que muitos chineses têm de sobra, mesmo com vocabulário restrito e muitos gestos, sempre se consegue algum tipo de comunicação. Cada gesto gentil deles com o esforço de se comunicar – como se eles tivessem obrigação de saber falar com a gente – ou até falar as únicas palavra que sabem em inglês (geralmente bye, bye), mesmo com a gente, supostamente, falando em mandarim, é um gesto de extrema gentileza que aquece nossos corações. Mas, com o tempo, sentimos falta das conversas mais consistentes, do debate sobre algum assunto ou mesmo de entender e se sentir entendido quando pedimos alguma explicação. Mesmo em inglês é complicado, pois não é nossa língua materna e nem a deles, e sempre precisamos dar muitos “descontos” (temos a desconfiança que eles também). Depois de um tempo, você se sente cansado e até deixa pra lá algumas tentativas de manter uma conversa mais longa, para, em seguida, sentir falta e começar a tentar novamente.

Um lado bom é que depois de estudar mandarim achamos que nossas possibilidades de aprender outras línguas são imensas! Nada parece mais difícil ou impossível! Conhecemos um exemplo legal, a nossa amiga indiana Anjali, que está aqui também por um tempo e fala mais de 5 idiomas devido aos diferentes dialetos falados na Índia e, claro, isso é bem comum lá e eles são expostos a diferentes línguas desde pequenos.

Outro exemplo inspirador é a brasileira Gabi, do blog “Do outro lado do mesmo mundo” (http://dooutroladodomesmomundo.blogspot.com.br). Nós nos encontramos em Xangai e ela nos impressionou com a capacidade de se comunicar e provocar surpresa nos chineses por ser uma estrangeira falando tão bem! Parabéns Gabi por superar todas as dificuldades!

Pensamos então que daqui pra frente podemos tudo! Eu falo português, inglês upper intermediário (continuo estudando todos os dias, lendo e ouvindo tudo que posso), mandarim iniciante e vou estudar italiano quando estiver de volta ao Brasil, pois é minha paixão. Estudar línguas agora virou hobbie. Gregório fala português, inglês fluente, alemão básico (relembrou e se virou super bem recentemente, entendia tudo que as pessoas falavam e conseguiu se comunicar com o vocabulário que tem com perfeição), mandarim iniciante, francês iniciante (andou ouvindo umas audio aulas e consegue falar alguma coisa) e o que mais ele quiser estudar, se dedicar e se disciplinar. E claro: pretendo continuar estudando Mandarim no Brasil.

Mas sobre isso minha querida comadre Mariana Nunes Ribeiro, mestranda em Letras, pode explicar melhor:

Segundo Rotins, em Pequena História da lingüística, “a língua de um povo é o espírito, e seu espírito é sua língua”. Para além desse espírito é complexa a dimensão que abarca o funcionamento de uma Língua, pois não se trata apenas de símbolos diferentes ou de códigos divergentes que emanam de uma cultura.

Estudar uma língua inclui compreender o som, saber como se articula o aparelho fonador a fim de desenvolver determinadas pronúncias. Daí o embate da aprendizagem de um língua de difícil aquisição como é o Mandarim, cuja articulação lingüística se dá via de regra, por meio de símbolos, dos quais uma palavra pode ser pronunciada com até cinco entonações divergentes. Além disso, são quase 60.000* símbolos dos quais são utilizados 10.000. Para se ler um jornal, por exemplo, é preciso conhecer pelo menos 2.500. Daí a “barreira da língua” não estar somente vinculada à cultura, mas se desenvolver em muitas direções.

Diante de uma situação na qual não sabemos falar uma língua estrangeira, até conseguimos “desenrolar” uma ou outra necessidade básica. Entretanto, nos sentimos incapazes de exercer uma comunicação plena e consistente e isso abala a interação, o diálogo e a compreensão de fatos importantes. Talvez vocês estejam se sentindo um pouco como peixes (rsrsrs) “fora d’água” em determinadas situações, mas a dica é se deleitar sobre o estudo ainda que seja apenas sobre elementos básicos da língua e sua fonética. Embora esta seja totalmente diferente do nosso português, o que implica numa dificuldade ainda maior, vocês devem extrair dessa experiência as melhores aprendizagens que vão muito além da aquisição da língua estrangeira. Há ainda uma válvula de escape que é a língua inglesa, se “aproveitem” dela.

*Dados quantitativos retirados da revista Veja 19/11/2009 #gregorioediananachinaeeunobrasil

Mariana Nunes Ribeiro

Aprendendo a língua A língua nas ruas

Compras na China

Ouvimos bastante sobre o baixo valor dos produtos na China antes de chegar aqui. A impressão é que aqui tem de tudo e tudo mais barato. A verdade é que tudo pode ser produzido aqui, mas não está disponível no mercado interno. A produção é para exportação. O que está disponível é o que é consumido pelo mercado local. Em geral, tem tudo que você precisa e os preços nas lojas físicas são bem próximos dos preços no Brasil. Os preços um pouco mais em conta estão nas lojas virtuais no estilo Mercado Livre.

Xi’an é uma cidade grande, com 8 milhões de habitantes, e possui vários shoppings centers e muitas marcas de luxo. Algumas marcas de fast fashion também. Só que o preço praticado não é o mesmo que seus locas de origem. Assim como no Brasil, marcas consideradas populares na Europa/EUA vendem seus produtos por aqui a um preço superior.

Minhas primeiras compras foram próximas à Bell Tower, um lugar bem turístico, então não esperava preços baratos. Uma amiga chinesa que foi conosco ajudou a negociar com os vendedores. Se não fosse por ela, o preço simplesmente não valeria a pena.

Depois fomos informados dos sites Taobao e Tmall. A primeira compra foi para testar a entrega e qualidade dos produtos. Claro que precisamos de ajuda para fazer cadastro, registrar o pedido e receber o produto. Os entregadores ligam pra o seu celular avisando que estão na portaria com o produto. Como a ligação é em chinês, precisamos de ajuda no começo. Depois aprendemos que o cara fala ‘blah blah blah Kuai Di blah blah’, e isso significa que a encomenda chegou. Passamos a receber os produtos sozinhos :) Uma absurda sensação de independência. A gente atende a ligação com um “wei, ni hao” e termina com um “xie, xie”. Daí é só descer, pegar o produto e conferir que é a nossa entrega pelo número do telefone na nota fiscal fora da caixa.

O Taobao é como o ebay: tem que prestar atenção no preço que pode ser uma oferta e amanhã voltar ao preço normal, e ver as avaliações do vendedor e qual a sua nota. Mas o pior é ACERTAR o tamanho. Funciona mais ou menos assim: se você usa P no Brasil aqui usará L. São dois tamanhos de diferença, na teoria. É muito complicado acertar o tamanho mesmo quando o vendedor disponibiliza as medidas em centímetros. Na verdade, tem muito mais opção de roupas pequenas, claro! Outra coisa é que o tamanho aumenta na largura e não na altura, então para quem é alta/alto não pode esperar modelagem perfeita.

Sobre a entrega, compramos numa segunda à tarde e recebemos a maioria dos produtos na tarde da sexta-feira da mesma semana. Faltou chegar só um produto. E isso foi na primeira compra, quando o tempo estava ruim. Na segunda compra, fizemos o pedido no sábado e tinha produto chegando na segunda! É normal as pessoas trabalharem no domingo, tem mercadinho, salão de beleza, imobiliárias abertos. Muito comércio aberto aqui próximo ao prédio que moramos.

No entanto depois de comprarmos (Diana) o básico para sobreviver ao frio inicial – casacos e alguma coisa para a casa e até queijo (Greg não aguentou e se desesperou hahahaha) perdemos a vontade de comprar.

É que com tanta informação negativa a respeito do tratamento da mão de obra aqui, dos agentes químicos usados nas indústrias prejudiciais ao meio ambiente e aos trabalhadores, da falta de cuidado e da baixa qualidade dos produtos, desde a matéria prima, não me sinto satisfeita com o produto comprado.

Tenho me preocupado e cada vez mais pesquisado sobre empresas e produtos sustentáveis, percebido que precisamos de muito menos do que temos para viver, e o quanto é importante saber o que estamos consumindo, de onde vem e como é produzido e que não precisamos de “mais” pra viver, e sim de “melhor”. Reusar, reutilizar cada produto que entra em nossa casa também.

Claro que não dá pra ter uma vida 100% livre, mas acho que aqui vale o máximo que possamos fazer: alimentos orgânicos e menos industrializados, oriundos de pequenos produtores locais, cosméticos mais naturais, produtos de empresas locais, empresas com processos produtivos de baixo impacto ao meio ambiente e produtos fabricados com matérias primas ambiental e socialmente sustentáveis.

Filma nóis

Ontem Greg recebeu um email de um dos gerentes avisando que o Discovery Channel (é sério) visitaria o escritório no dia seguinte para fazer umas filmagens e entrevistas para o documentário cobrindo a rota da seda na China moderna. No email havia um aviso que dizia que existia a possibilidade de Greg conceder uma entrevista. Uma oportunidade imperdível para o nascimento de uma nova estrela da televisão!

Hoje de manhã, quando Greg estava quase saindo para ir ao trabalho, a polícia fashion, mais conhecida como Diana, abordou-o questionando o que ele estava vestindo. Greg lembrou-se que precisava dar um tapa no visu, correu para se trocar e seu modesto moletom ficou para ser usado num outro dia. Diana ficou torcendo para que tudo desse certo.

Nós dois nos encontramos na hora do almoço e de lá fomos ao escritório. Devido às aulas de chinês às terças e quintas-feiras, Diana costuma ir ao escritório aproveitar o ambiente e a internet estável. Em estando lá, ela seria testemunha ocular do brilhantismo hollywoodeano que estava por vir.

Infelizmente, ao retornar do almoço, Gao Li, uma outra gerente, destruiu o universo ao dizer que as entrevistas haviam sido canceladas. Assim sendo, o mundo voltou ao seu diminuto tamanho convencional e Greg continuou trabalhando normalmente.

Greg estava numa reunião quando Gao Li tentou falar algo com ele. Com a reunião concluída, Greg foi falar com a gerente: “Pois não?”. Ela sorriu e disse: “Não era nada, não. Só queria pegar sua esposa emprestada”. Quando vi, Diana estava toda descontraída, conversando com outros dois colegas, enquanto alguém filmava a conversa. Diana disse que só ouviu um: “What?! My wife?”

Gao Li havia perguntado se Diana não queria participar do documentário e pediu que ela apenas conversasse com alguns colegas. Um dos colegas era Anjali, nossa amiga indiana, e o outro ainda estava por ser escolhido. Ryan Pyle, o documentarista, disse que precisava de um chinês pra misturar tudo. Foi quando Gao Li questionou que tipo de chinês ele precisava e Ryan apontou para Jichao Ouyang e disse: “Aquele!”. O pacato Ouyang, primo em potencial do Chiconato, estava bem quietinho, na dele, de pé, em frente a uma mesa em frente à nossa, inocentemente chupando uma manga que parecia lhe purificar a alma.

Os astros conversavam algo altamente aleatório enquanto eram filmados, algo como Diana perguntando se eles pensaram no que vestir antes de ir ao escritório, já que poderiam ser filmados e depois conversaram sobre Guilin, já que Ouyang é de lá.

Depois rolaram umas filmagens aleatórias de outras coisas aleatórias, inclusive Greg trabalhando, talvez pra provar que ele trabalha às vezes :)

Achamos a experiência interessante e muito inusitada. Principalmente Diana, que passou mais tempo às cameras. Ao fim das gravações, conversamos com seus responsáveis e eles nos mostraram um pouco do seu trabalho. Moram na China há no mínimo uma década. Ryan mora aqui desde 2001, e entrou no Guiness por realizar o mais longo passeio de motocicleta por um único país: 61 dias! Vale a pena assistir: http://tv.sohu.com/s2013/mkr/ (áudios em inglês, legendas em chinês)

Eles foram muito simpáticos em tirar fotos com a gente para o blog e disseram que vão dar um rolé de moto no Brasil também no ano que vem.

Celebridades Celebridades Celebridades Celebridades

Top 10 (ou 11) na China

Tags: Conhecendo a China
  1. Emagrecemos apesar de comer muito. Achamos que comemos mais saudável. Talvez a pimenta e a água quente ajude a emagrecer.
  2. Tem árvores, flores e parques pra visitar. Tudo muito lindo.
  3. A arquitetura e os detalhes nas construções, nas escadarias, nas portarias e até no chão dos lugares são sempre impressionantes.
  4. Segurança. Sair de casa sem medo, sem precisar segurar a bolsa com força ou esconder eletrônicos (celular, tablet, etc.) e andar tarde da noite sem medo pelas ruas é muito libertador.
  5. As árvores e o modo como elas estão dispostas dentro do nosso condomínio – sempre há passarinhos cantando.
  6. Ver as pessoas vestidas de forma livre, parecendo uma liberdade de expressão. As pessoas não se escondem nas roupas, são livres para usar e ousar o/no que quiserem.
  7. Experimentar um sabor diferente a cada nova refeição fora de casa e, nas vezes que gostamos, repetir o prato sem saber o que comemos. Nunca vamos entender a quantidade de vegetais e raízes disponível aqui.
  8. Facilidade de cozinhar: a gente prepara as comidas em casa tão rápido, não sei se é o tipo de comida ou se é a panela elétrica.
  9. A “acolhida” das pessoas: ficar uns dias indisposta e depois um colega não tão próximo perguntar se você está melhor é muita atenção!
  10. O uso de tecnologia móvel realmente facilitando a vida. Smartphones são muito acessíveis aqui, de mode que todo mundo tem um. QR codes são muito utilizados. Dá pra fazer muita coisa com celular por aqui.
  11. A faca que tem na cozinha: no começo dá medo mas depois a pessoa acostuma e não quer mais usar outra. É bom demaisssss haahahahahah (Greg tá com medo)

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Yoga na China - por Diana

Fazer yoga aqui definitivamente é a minha atividade preferida. É maravilhoso, me sinto muito bem! E o local é em um prédio vizinho à empresa onde Greg trabalha. Uma colega dele me levou a primeira vez e eu continuei indo. Simplesmente adorei, mesmo às vezes ficando toda “quebrada” depois da aula!

O lugar é confortável, aconchegante, relaxante e tem um aquário dentro da sala! E a professora foi muito acolhedora, muito simpática e gentil. No final da primeira aula ela veio falar comigo em inglês!

Novamente, é engraçado não entender nada que a professora esta falando, mas nesse caso é só repetir os movimentos e pronto. Eu fazia pilates em Porto Alegre, faltava mais do que fazia. Mas comecei, né Marlize (instrutora de pilates)?! hahaha Então algumas horas entendo que preciso respirar, tencionar o abdômen, relaxar os ombros, essas coisas.

Continuo indo mesmo que às vezes sozinha. Não perco nenhuma semana, pode acontecer o que for que estarei lá na aula. Na primeira aula que fui a sala estava lotada. No entanto, acho que roulou uma fofoca que uma estrangeira ia começar as aulas porque nas aulas seguintes percebi que a sala nunca mais esteve tão lotada :D

Por que ninguém nunca me disse que tinha uma atividade física tão legal que dá pra fazer parada?

Yoga Yoga Yoga Yoga Yoga Yoga Yoga Yoga

Minha meta hahaha:

Meta

Pâtisserie na China

Tags: Custo de vida na China

Com enorme alegria, encontramos alguns cafés, padarias e supermercados que possuem bolos e doces. Cada bolo mais lindo que o outro, mas infelizmente os que experimentamos não possuíam o sabor proporcional à beleza. Ficamos nas opções de waffles, alguns docinhos, croissants e pães doces que são uma delícia na maioria das vezes. Mas, como não experimentamos tudo, não perdemos a esperança! Os chineses não são adeptos das sobremesas diárias, o que para nós é uma tristeza total. Às vezes alguma fruta ou um dos pratos durante a refeição é doce (lembrei agora de uma batata caramelizada, que é perfeita), mas sobremesas são raras.

É importante salientar que padarias, confeitarias, cafeterias e afins são, na China, conceitos completamente estrangeiros, importados do ocidente e não pertinentes à cultura local. Tanto que ‘torta’, do inglês pie, não tem um vocábulo local. Aqui, uma torta se chama pie, assim como no inglês.

Vamos ver se dá certo elencar alguns preços, que aí dá pra notar algumas diferenças e semelhanças nos custos (não necessariamente no mesmo estabelecimento):

  • Xícara grande de café preto: ¥ 20
  • Copo grande de café com firula (baunilha, avelã, etc): ¥ 30
  • Waffles: ¥ 35
  • Vitamina de morango: ¥ 28
  • Croissant grande, com ou sem cobertura de chocolate: ¥ 8,5
  • Tortinha de chocolate, bonita mas sem sabor: ¥ 12
  • Café que a gente não sabia que tinha pétalas: ¥ 12
  • Sanduíche: ¥ 7

Neste exato momento, R$ 1,00 vale ¥ 2,78. Se tiver curiosidade para saber a cotação, vai no Google e digita “1 RBL to RMB”.

Essas e muitas outras fotos no insta de diana e a rexetegue #nachinacomgregorioediana.

Cafezinho!

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Street Style em Xi’an

O que se pode perceber é que existe pouca preocupação em geral com a moda por aqui. Alguém me disse que as pessoas compram o que é mais barato e pronto. Mas o fato de haver pouca preocupação não faz dela inexistente! Uma grande parte das meninas se veste de forma bem romântica, com muitos babados, laços e tons claros. Uma outra grande parte se veste estilo esportivo, por vezes cópias americanas, e sem maquiagem. Umas outras meninas se vestem e se maquiam bem! Existem também as pessoas que conquistaram um conforto financeiro e estão na fase “ostentação”. Lembrando que faz relativamente pouco tempo que as pessoas têm melhores condições financeiras aqui na China. Até recentemente, era difícil alcançar uma condição de vida confortável e, para muitos, ainda é difícil.

Uma diferença gritante é que aqui as meninas não têm medo de serem meninas. Usam saia, saia rodada, rosa, laço e tudo mais feminino que você possa imaginar. Mesmo no ambiente de trabalho. Outra curiosidade é que elas cobrem muito o busto mas não têm vergonha de usar saias super curtas. Até agora só tenho visto meninas com meia-calça devido ao clima, mas as saias são curtas e coladas, quase um cinto mesmo! Em relação às cores, elas usam e usam muito bem: usam laranja, azul, roxo, vinho, vermelho, rosa, etc. Sabem combinar as cores e usam tudo no inverno também.

Já vi algumas fotografando look do dia, eu presumi, em pontos bem turísticos. Aqui algumas fotos, para ver mais sigam meu instagram: diananunes_

Street Style Street Style Street Style Street Style Street Style Street Style

Dia de faxina

Em Porto Alegre, tínhamos o hábito de fazer faxina aos sábados de manhã. Era o dia em que Greg ficava muito triste e não queria falar com ninguém. Levávamos quase 2 horas enrolando em um apartamento pequeno. Aqui demoramos mais nos primeiros dias, pois o padrão de limpeza deles é bem diferente do nosso, mas depois ficou super fácil manter e pedimos pra empresa comprar aspirador de pó. Aí ficou mais fácil ainda! A menina da faxina vem na terça e na sexta ou sábado damos um jeitinho. Quando passamos muito tempo fora de casa nem precisamos de muita dedicação com a limpeza.

E cozinhar aqui? é super rápido e fácil! Com a panela de arroz fazemos arroz, macarrão, sopa, ovo cozido, milho verde, tanta coisa :D e com a única panela que temos, uma frigideira bem funda, fritamos alguma verdura, refogamos algum vegetal e está pronta nossa refeição! Chinese style!

Uma das receitas para “arrozeira” bem legais que nossa amiga Lize compartilhou:

Receita

Usamos muito a sala para assistir filme. Ficar no sofá embaixo do edredom no friozinho é bom demaissss :D

As vassouras que tem no apartamento são bem pequenininhas, parece de criança, e é assim que encontramos nos supermercados aqui também!

Vassouras

A máquina de lavar é super engraçada. Tem uns programas que o nome é intraduzível do tipo: “Single Mode”, que é para roupas de solteiro; e “Night Mode” que é para roupas de balada.

Máquina de lavar

E, por fim, o microondas engraçado: tem função para dumplins, nossa comida favorita, e para macarrão instantâneo!

Nossa casa na China virou lar!

Quatro “traumas” que você vai curar na China - Por Diana

Se você tem algum “trauma social” e gostaria de curá-lo, venha para a China! Aqui vai ser muito fácil superar qualquer coisa se você deixar todo o preconceito de lado e entender uma cultura que, sim, é muito diferente, mas ao mesmo tem algo em comum com a brasileira. Os chineses são simpáticos e hospitaleiros, principalmente os mais jovens, e as pessoas próximas a você tendem ser bem amistosas.

Seja tolerante, tenha compaixão e pouca exigência consigo mesmo, e assim você conseguirá tolerar, entender e não exigir dos chineses. Os traumas dos quais me curei:

1 – Óbvio: trauma de muita gente no mesmo lugar

Não tem jeito, apesar dos espaços serem grandes, das construções e organização das ruas serem preparadas para a superpopulação, vai ter hora e lugar que vai estar todo mundo junto mesmo. Paciência, calma e segue o fluxo!

2 – Todo mundo está olhando pra mim!

Sim, todo mundo está olhando pra você. Lembra quando chega no Brasil algum gringo bem branquelo, altão e a gente olha? Aqui é do mesmo jeito. Tenho a impressão de que é pior, já que eu sou a “olhada”, mas é a mesma coisa. O dia todo, todos os dias, todo mundo vai olhar pra você sempre. As crianças vão até apontar e as pessoas às vezes param o que estão fazendo para lhe observarem. Olhe-os de volta, sorria; ou então não olha, olha para a paisagem. Tanto faz, depois de um tempo não vai fazer diferença pra você.

3 – O pessoal está “sugando” a comida!

Sabe quando você está na sua mesa, tranquilo, comendo qualquer coisa e alguém próximo começa a sugar o café, a sopa ou qualquer outro líquido quente, fazendo bastante barulho? Aqui é super normal e acontece até com a comida! Eles colocam a cabeça bem próxima ao prato para ajudar os palitinhos na tarefa de levar a comida até a boca e: shhhhh! Fazem o barulho necessário, não importando o local ou quem estiver do lado. Imaginem comer uma sopa com muito macarrão escorregadios dentro com palitos. É bem assim. No começo irrita mas depois é tão normal e você pode até se pegar fazendo o mesmo quando a comida estiver super quente mesmo!

4 – Não sei se dou dois beijinhos, um beijinho ou só sorrio ao cumprimentar alguém

Não precisa mais se preocupar, seus problemas acabaram! Aqui é só soltar um “Ni Hao” de longe e um sorrisinho e pronto, a pessoa já está super cumprimentada. Mas é estranho até depois de um tempo, às vezes você esquece e vai em direção da pessoa, tipo pra dar dois beijinhos e para na metade lembrando que aqui e em muitos lugares, que não o Brasil, as pessoas não se tocam ao se cumprimentar.

Alguém lembra de mais algum?